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Mergulhos profundos em poças d’água Segunda-feira, 5 Novembro, 2007

Posted by onelag in Filmes.
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Ontem me rendi e finalmente vi a versão que eu tinha baixado do Tropa de Elite . Difícil analisar bem um filme vendo uma única vez e também por isso ainda pretendo ver novamente no cinema.

No filme o que mais me desagradou foi a atuação do André Ramiro, que interpreta o personagem Matias. De início, achei que era simplesmente um ator ruim. Vendo agora na internet fiquei pasmo: é um cantor de rap (nada contra rap aqui). O negócio é que ele não é ator bosta nenhuma, esse foi o primeiro papel que ele fez na vida. Então porra, que merda o José Padilha tinha na cabeça? Tudo bem, talvez ele não tenha a palavra final no casting, mas então esse André Ramiro deve ter um ótimo QI. O problema não é exatamente ele ser um mau ator, mas ele ser um mau ator estando no papel de um personagem tão importante para a trama.

Como um livro mal escrito em que, ainda assim, a leitura é aconselhada, acredito que o filme cumpre um papel importante pelo ineditismo do tema. Por mais ficcional que seja, os acontecimentos ali são um mix do real. O capitão Nascimento se baseia em uma pessoa que existe de verdade, não veio da cabeça dos escritores (o livro tem três autores).

A narração em off do Nascimento incomodou muita gente. A primeira idéia era colocar o filme sobe a ótica do Matias (coisa que com certeza foi impossível com um ator tão medíocre). Não vejo a narração deste modo como um defeito, exceto nos momentos em que fica clara a mudança de perpectiva. Nestes momentos deveria mudar também o narrador, para aprofundar os personagens.

Num filme que pretende retratar a “guerra urbana”do Rio, não seria necessária uma profundidade nos personagens, como não existe na maioria dos filmes de guerra, até pelo grande número de participantes. Em Tropa, no entanto, é diferente, já que os três personagens principais estão muito bem definidos. Mesmo como Nascimento contando a história, não nos aprofundamos nele.

Os protagonistas, alinhados: Nascimento, Neto e MatiasO filme não é bom, pq não cumpre o que promete, de retratar a guerra. A história principal não é lá grande coisa: nascimento em busca de um substituto. As crises de consciencia de nascimento não me parecem tão verossímeis pra um homem que já estava acostumado ao trabalho. A cena em que os aluninhos ficam estudando Foucault é totalmente dispensável. O envolvimento romântico, na cena de beijo ao som de “shinnny happy people”do REM ficou inverossímil (tudo bem que o filme se passa há dez anos, mas mesmo assim isso não é música pra dançar, independente da festa).

O filme escancara coisas nunca antes mostradas. É por isso que as pessoas deveriam vê-lo. Mas na minha opinião, o grande mérito não é esse. O principal, que foi mal explorado, é a corrupção da alma. Aquela história velhíssima de combater o Mal com as suas próprias armas. Afinal, o herói contnua sendo herói se mata o vilão?

Esse “grande dilema”foi explorado aqui com menos profundidade do que nos gibis do Batman e Superman que eu colecionava. Talvez tenha faltado isso aos roteiristas, ou ao diretor. Mas, se o filme merece ser visto pelo reflexo de uma realidade brasileira oculta, talvez esse defeito também seja reflexo da mesma realidade: a falta de cultura do país.

Quem sabe se o Matias fosse interpretado por um bom ator (um Lázaro Ramos da vida) o resultado poderia ter sido diferente. Independente disso, o lado bom é que o filme causou polemica e reflexão sobre o tema.

Na tentativa de ver o lado bom das coisas, vamos rir pra não chorar… (hahaha, peguei vcs).

Esse papo de que o filme é apologia ao fascismo é coisa de comunistinha. Isso é teoria hipodérmica, como se ninguém refletisse sobre nada, pensamento de meio século atrás. Como disse a Jeanne Callegari (leiam a crítica dela ao filme) numa lista em que participo: “esse negócio de contar os dois lados não se aplica a uma obra de arte: só me faltava o Nabokov escrever Lolita mostrando o ponto de vista da mãe dela ou de qualquer pessoa anti-pedofilia, né?”.

PS.: Título do post roubado do Dauro Veras, ao responder os comentários da Jeanne: “há mergulhos verticais em lagos profundos e também em poças dágua…”

Celeiros Criativos Terça-feira, 30 Outubro, 2007

Posted by onelag in música.
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Faz um tempo que tou com uma música do Cazuza na cabeça. Um Trem Pras Estrelas (letra dele, música do Gil, filme do Cacá Diegues). É daquelas que todo mundo conhece, mas incrivelmente não achei pra fazer download. Pelo jeito vou ter q entrar na Discografias pra pegar o CD inteiro. Enquanto eu procurava em que CD estava essa música (Ideologia, por sinal), achei coisas interessantes.

- Discografia Comentada de Cazuza
- Verbete no Dicionário Cravo Albin de MPB
- Frases de Entrevistas, no site oficial.

Deu até vontade de rever o filme. Não lembro o porquê do apelido, mas graças a deus ele existe, por que se fosse Agenor de Miranda não ia pegar. Tá mais pra cantor de bailão. Cazuza era filho do dono da Som Livre. Largou no meio a faculdade de comunicação, trabalhou na gravadora, fez curso de fotografia e teatro. E na peça de conclusão do curso teve que cantar, o que o fez ser indicado por Léo Jaime para a banda Barão Vermelho.

 

Descobriu a AIDS aos 29 anos, em 1987. Ideologia foi o primeiro album pós-doença. Em pouco tempo fez peça, especial pra rede globo, teve musica na abertura da novela (Brasil, cantada por Gal Costa). Lançou seu ultimo disco em cadeira de rodas, o duplo Burguesia em 1989. Serviu de ícone sensacionalista para divulgar a doença, na capa da revista Veja de março de 1989 – outra revista na época. Morreu em 7 julho de noventa, aos 32 anos.

 

Cazuza, na Veja, Março de 1989“[Em 1988] estive muito mal, muito doente, quase morri. Parei de sair à noite, estou levando uma vida diferente, me preservando, me escondendo mais. Então me perguntei como seria agora que não tenho mais meus celeiros criativos que são os bares.”

 

“Eu achava que não podia falar sobre política, por não ser uma pessoa política. Isso começou a mudar quando fiz a letra de Um trem pras Estrelas, com a música do Gil, a partir do roteiro do filme de Cacá Diegues. Depois conversando com mil pessoas, inclusive Gil, pensei por quê não mostrar a minha visão, por mais ingênua que ela seja? Não sei quanto é a dívida externa, qual é o rombo das estatais… não estou por dentro destas coisas, tenho uma visão romântica, mas a maioria da população também deve ter uma visão ingênua, então por que não me posicionar?”

 

[Ouça Ideologia na rádio UOL]

Quê? Ainda não viu Tropa de Elite? Terça-feira, 30 Outubro, 2007

Posted by onelag in Filmes.
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Não, não vi. Tá no cinema, mas já baixei pro pc há mais de um mês. É o principal assunto de polêmica do momento. Comparam com “Cidade de Deus”. Enquanto Cidade seria a visão do traficante, Tropa seria a da polícia. Hoje fiquei sabendo de um terceiro filme, com estréia marcada infelizmente só pra 11 de janeiro. Meu Nome Não é Johnny tem Selton Melo no papel principal, e Cléo Pires como sua namoradinha. É baseado no livro homônimo, lançado em 2004, que conta a história do último “traficante romântico” do Rio de Janeiro. João Estrella era um playboy que descobriu a coca e passou a vender pros amigos, sem nunca ter subido no morro. Viajava pra europa pra exportar o produto e sempre torrou todo o seu dinheiro. Esse seu aspecto hedonista foi usado em sua defesa quando a polícia o prendeu, em 95, com seis quilos, em casa. A sentença benévola da juíza foi interná-lo para tratamento. Ficou três anos em reclusão e diz ter se recuperado.

 

Essa seria então a face dos usuários. To pouco ligando pra isso, contanto que o filme seja bom. E gostei do trailer.

Preciso me encontrar… Quinta-feira, 18 Outubro, 2007

Posted by onelag in blogs.
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… é o nome da música da qual tirei o título deste blog. Clichê, é verdade, mas tinha ficado com ela muito tempo na cabeça e resolvi buscar a letra na internet. Daí que fui lembrar que a música era do Cartola, e não da Marisa Monte. Essa versão, que tocava na minha cabeça, era do primeiro disco dela.

Ainda não sei ao certo o tema desse blog. Por enquanto vai ser o que me vier à cabeça: músicas, filmes, livros, jornalismo, etc. Quem sabe algum post pessoal, vez ou outra.

Já pensava em fazer um blog há algum tempo. Faltava o título. Se por acaso eu achar um melhor, mudo. Por enquanto fica esse aí. E vamos em frente.